Eu era uma guria muito fascinada. Observava mais do que falava e até hoje eu não entendi como eu tornei alguém que observa mais do que fala, só que ninguém acha isso. Antes elas achavam. Mas, enfim, nessas minhas observações, por volta da idade de oito anos, eu cheguei a conclusão de que professores eram como santos. Meus pais trabalhavam muito, então a unica referência que eu tinha de adulto era as professoras da escola. Elas não falavam palavrão na aula. Então eu achava, que por elas não falavam palavrão, elas eram santas.
Eu achava que elas eram mães boazinhas, que não bebiam, que nunca fumavam e que sempre consertavam o mundo com uma folha de papel branco e uma caixa de gizão de cera. Que elas tinham maridos fofinhos, e que elas cozinhavam pra eles.
Eu não sei porque eu era assim, iludida.
Um dia, a aula acabou e os alunos saíram correndo pra ir embora. Eu fiquei um tempo, juntando uns pertences, copiando uma ultima frase..sabe como é, caprichando a letra. Ficamos só nós duas. Eu, e a professora Lupita ( nome fictício, of course). Ai, ela foi apagar o quadro e o apagador de madeira caiu no pé dela.
- MERDA !
A professora falou um palavrão.
Desde esse dia, eu nunca mais olhei as professoras da mesma forma.
~ Juliana Martins.

